O Mistério do Chapéu Seletor
O Mistério do Chapéu Seletor
Naquela escola, havia uma tradição que todos conheciam, mas ninguém compreendia completamente.
Todos os anos, durante a cerimônia de recepção dos novos alunos, um antigo chapéu era colocado sobre uma mesa de madeira no centro do salão. Diziam que ele era capaz de reconhecer características, talentos e até segredos daqueles que o usavam. Depois de alguns segundos, o chapéu indicava para qual das quatro casas da escola o estudante deveria ir.
Era o famoso Chapéu Seletor.
O problema é que, naquela noite, algo diferente aconteceu.
O salão estava cheio. As velas iluminavam as paredes antigas, enquanto a chuva batia violentamente contra as janelas. Os alunos conversavam em voz baixa, esperando o início da cerimônia.
Entre eles estavam Lívia, curiosa e observadora; Caio, que adorava inventar teorias; Beatriz, sempre desconfiada; Rafael, corajoso e impulsivo; Nina, apaixonada por histórias antigas; Samuel, extremamente inteligente; Helena, que percebia detalhes que quase ninguém notava; e Davi, o mais brincalhão do grupo.
Os oito estavam sentados próximos uns dos outros.
— Aposto que o chapéu vai me colocar na Casa do Fogo — disse Rafael, ajeitando a postura.
— Você nem sabe se ele ainda funciona — respondeu Beatriz.
— Claro que funciona! — afirmou Nina. — Minha avó estudou aqui e contou que o chapéu já revelou coisas que ninguém sabia.
Davi riu.
— Então pergunta para ele quem pegou meu último pedaço de bolo.
— Provavelmente você mesmo — disse Samuel.
Todos riram.
Mas Helena não riu.
Ela estava olhando para o Chapéu Seletor.
Havia alguma coisa estranha nele.
O objeto parecia mais velho do que nas fotografias existentes nos livros da escola. A aba estava rasgada em um dos lados e havia uma pequena mancha escura próxima à costura.
— Vocês estão vendo aquilo? — perguntou Helena.
Os outros olharam.
— O quê? — perguntou Lívia.
— Tem alguma coisa escrita na parte de dentro.
Rafael se levantou.
— Não dá para enxergar daqui.
Antes que pudesse se aproximar, o diretor bateu três vezes com a mão sobre a mesa.
O salão ficou em silêncio.
A cerimônia começou.
Um por um, os novos alunos foram chamados.
O primeiro colocou o chapéu na cabeça.
Durante alguns segundos, nada aconteceu.
Então o chapéu anunciou:
— Casa da Aurora!
A multidão aplaudiu.
O segundo aluno foi chamado.
Depois o terceiro.
Tudo parecia normal.
Até que o diretor pronunciou o nome de Samuel.
— Samuel Martins.
Samuel respirou fundo e caminhou até a mesa.
— Boa sorte — sussurrou Lívia.
Ele sentou-se e colocou o chapéu.
Silêncio.
Um segundo.
Dois.
Três.
O Chapéu Seletor não disse nada.
Samuel franziu a testa.
— E então? — perguntou o diretor.
De repente, o chapéu falou:
— Ele não deve ser selecionado.
O salão inteiro ficou imóvel.
Um murmúrio percorreu as mesas.
Samuel retirou o chapéu imediatamente.
— O que isso significa? — perguntou o diretor.
O chapéu permaneceu em silêncio.
Naquele instante, alguma coisa caiu no chão.
Era um pequeno pedaço de papel que estava escondido dentro do chapéu.
Helena foi a primeira a perceber.
— Tem uma mensagem!
O diretor rapidamente pegou o papel.
Seu rosto mudou.
Ele leu.
Depois dobrou o papel e guardou-o no bolso.
— A cerimônia está encerrada.
Os alunos começaram a reclamar.
— Mas por quê? — perguntou Rafael.
— Agora! — ordenou o diretor.
A expressão dele não deixava espaço para discussão.
Os estudantes começaram a sair do salão.
Os oito amigos, porém, permaneceram próximos à porta.
— Vocês viram a cara dele? — perguntou Beatriz.
— Ele ficou assustado — respondeu Lívia.
— E o chapéu falou que o Samuel não deveria ser selecionado — acrescentou Nina.
Caio cruzou os braços.
— Isso só pode significar uma coisa.
— O quê? — perguntou Davi.
Caio aproximou o rosto dos amigos.
— O chapéu está com defeito.
Davi fez uma careta.
— Essa é sua grande teoria?
— Tenho outra.
— Qual?
— Alguém está controlando o chapéu.
Todos ficaram em silêncio.
Samuel olhou para o corredor.
— Então precisamos descobrir quem.
Na manhã seguinte, a escola inteira comentava o ocorrido.
Alguns diziam que Samuel havia escondido alguma coisa. Outros acreditavam que o chapéu estava quebrado. Havia ainda quem afirmasse que a cerimônia tinha sido cancelada porque uma antiga maldição havia despertado.
Os oito amigos decidiram investigar.
A primeira pista surgiu quando Helena voltou ao salão durante o intervalo.
Ela se aproximou da mesa onde o chapéu havia ficado.
— Olhem isso.
Havia pequenas marcas de barro no chão.
— São pegadas — disse Rafael.
— E vão até a porta dos fundos — completou Beatriz.
Os oito seguiram as marcas.
A porta dava para um corredor pouco utilizado.
No final dele havia uma escada estreita.
— Eu não gosto disso — disse Davi.
— Você não gosta de nada que envolva escadas — provocou Lívia.
— Principalmente quando elas levam para lugares proibidos.
Eles desceram.
No fim da escada havia uma sala antiga.
A porta estava entreaberta.
Nina empurrou devagar.
Dentro havia estantes cobertas de poeira, caixas velhas e documentos.
Samuel encontrou um livro sobre uma mesa.
— É sobre o Chapéu Seletor.
Nina pegou o livro e começou a folheá-lo.
— Aqui diz que o chapéu não escolhe apenas pelas características do aluno.
— Então como ele escolhe? — perguntou Rafael.
— Ele também consegue perceber... intenções.
Beatriz arregalou os olhos.
— Intenções?
— Sim. O livro diz que, em situações especiais, o chapéu pode recusar uma seleção.
Samuel ficou sério.
— Então ele não estava com defeito.
— Não — respondeu Nina.
Ela virou mais uma página e parou de repente.
— Tem alguma coisa errada.
— O quê? — perguntou Lívia.
— Esta página foi arrancada.
Helena olhou para o livro.
— E alguém tentou esconder isso.
Ela apontou para uma pequena marca de tinta no canto da página.
— A mesma tinta que estava no papel encontrado ontem.
Caio ficou pensativo.
— Então a mensagem veio deste livro.
De repente, ouviram um barulho no corredor.
Passos.
Todos ficaram imóveis.
Os passos se aproximaram.
Mais perto.
Mais perto.
A maçaneta começou a girar.
Rafael segurou a porta.
— Quem está aí?
Ninguém respondeu.
A porta se abriu violentamente.
Era o diretor.
— O que vocês estão fazendo aqui?
Ninguém respondeu imediatamente.
O diretor olhou para o livro nas mãos de Nina.
Sua expressão ficou séria.
— Devolvam isso.
— Por quê? — perguntou Beatriz.
— Porque vocês não sabem com o que estão mexendo.
Samuel deu um passo à frente.
— O senhor sabia que o chapéu iria falar aquilo ontem?
O diretor permaneceu em silêncio.
— Sabia? — insistiu Samuel.
O diretor respirou profundamente.
— Saiam daqui.
Mas, antes que pudessem obedecer, Helena percebeu algo.
A mão do diretor estava suja de tinta escura.
A mesma tinta encontrada no papel.
Ela olhou para Beatriz.
Beatriz entendeu imediatamente.
O diretor estava escondendo alguma coisa.
Naquela noite, os oito se encontraram novamente.
— Eu acho que foi ele — disse Rafael.
— Ainda não temos provas — respondeu Samuel.
— Temos a tinta.
— Isso não prova que ele escreveu a mensagem.
— Então precisamos descobrir o que estava escrito.
Nina abriu o livro.
— Talvez a página arrancada seja a chave.
Helena levantou os olhos.
— E se ela não tiver sido destruída?
Todos olharam para ela.
— Como assim?
— Se alguém arrancou a página, provavelmente queria escondê-la.
— Então onde esconderia? — perguntou Lívia.
Helena respondeu:
— No lugar mais óbvio.
Eles voltaram à sala antiga.
Depois de alguns minutos procurando, encontraram uma caixa de madeira atrás de uma estante.
Dentro havia vários documentos.
Entre eles estava a página desaparecida.
Nina começou a ler.
Seu rosto perdeu a cor.
— O que foi? — perguntou Davi.
Ela entregou o papel a Samuel.
Ele leu em silêncio.
Depois olhou para os amigos.
— O Chapéu Seletor não pertence à escola.
— Como assim? — perguntou Rafael.
— Ele foi criado para proteger um segredo.
— Que segredo? — perguntou Beatriz.
Antes que Samuel pudesse responder, uma voz surgiu atrás deles.
— O segredo é que o chapéu não escolhe os alunos.
Todos se viraram.
Era o diretor.
Ele estava parado na porta.
— Então o que ele escolhe? — perguntou Helena.
O diretor caminhou lentamente até eles.
— Quem está dizendo a verdade.
Silêncio.
— Durante anos — continuou ele — o chapéu foi usado para descobrir quem estava disposto a proteger a escola e quem pretendia prejudicá-la.
Samuel franziu a testa.
— Então por que ele disse que eu não deveria ser selecionado?
O diretor olhou diretamente para ele.
— Porque alguém colocou seu nome na lista de suspeitos.
— Quem?
O diretor não respondeu.
Nesse momento, ouviram um ruído vindo do corredor.
Todos olharam para a porta.
Uma sombra passou rapidamente.
Rafael correu atrás dela.
— Ei!
Os outros o seguiram.
A sombra entrou no salão principal.
Quando chegaram, encontraram o Chapéu Seletor sobre a mesa.
Mas havia algo diferente.
Ele estava virado para a porta.
Como se estivesse esperando alguém.
Então, lentamente, o chapéu falou:
— Aquele que vocês procuram está entre vocês.
Ninguém se mexeu.
Davi olhou para os amigos.
Caio recuou.
Beatriz observou cada rosto.
Nina segurou o livro contra o peito.
Rafael fechou os punhos.
Samuel permaneceu imóvel.
Lívia respirou fundo.
Helena, porém, percebeu algo.
No chão, havia uma pequena gota de tinta.
Ela olhou para as mãos de cada um.
Então percebeu.
A tinta não estava apenas nas mãos do diretor.
Estava também na manga de Caio.
— Caio...
Ele ficou pálido.
— O quê?
Helena apontou para sua manga.
Todos olharam.
Caio tentou esconder o braço.
— Não é o que vocês estão pensando.
Rafael avançou.
— Então explique!
Caio respirou fundo.
— Eu escrevi a primeira mensagem.
O grupo ficou em choque.
— Mas por quê? — perguntou Lívia.
Caio abaixou a cabeça.
— Porque eu queria descobrir se o chapéu realmente funcionava. Eu encontrei o livro alguns dias atrás e queria testar a história.
— E você colocou o nome do Samuel? — perguntou Beatriz.
— Sim.
Samuel ficou furioso.
— Você quase colocou a escola inteira em confusão!
— Eu sei.
Por alguns segundos, ninguém disse nada.
Então o Chapéu Seletor falou novamente:
— Mas ele não é o responsável pelo desaparecimento da página.
Caio levantou a cabeça.
— O quê?
O diretor ficou imóvel.
Helena lentamente virou-se para ele.
— Então alguém usou a mensagem de Caio para esconder o verdadeiro mistério.
O diretor fechou os olhos.
— Sim.
— Quem? — perguntou Nina.
O diretor olhou para o chapéu.
Depois para os oito estudantes.
E finalmente para a porta.
— Isso é algo que vocês ainda terão de descobrir.
As velas do salão se apagaram de uma só vez.
No escuro, ouviu-se apenas a voz do Chapéu Seletor:
— O verdadeiro mistério apenas começou.
Quando as luzes voltaram, o chapéu havia desaparecido.
E, sobre a mesa, havia apenas uma nova mensagem.
Helena pegou o papel.
Leu.
E, dessa vez, não disse nada.
Porque a mensagem tinha apenas seis palavras:
“O próximo segredo está com vocês.”
aura
ResponderExcluirmassa
ResponderExcluirtop gostei
ResponderExcluirparte 2
ResponderExcluirconcordo
Excluirdahora ai
ResponderExcluirsamuel samuel para com isso
ResponderExcluirnau
Excluireh samuel
ResponderExcluirtop cadê parte 2?
ResponderExcluirantonio narrador
Excluirpode nao samuel
ResponderExcluirtimha que ser a jasmila
ResponderExcluiroxi
Excluirbaaaaaahhhhhhh
ResponderExcluirtchê tchê
ResponderExcluirJhenyfer: acredito que o diretor escondeu a pagina para brincar com os alunos.
ResponderExcluirdiretor
ResponderExcluirMatheus: acho que foi o Caio pq quem esconde algo sempre fica desconfiado
ResponderExcluirboa, concordo
Excluirsamuel: achoq o diretor
ResponderExcluirele ficou mt desconfiado tb
Excluiracho que o caio vai se rebelar com o grupo e ele vai ser o vilao principal, enquanto o rafael, ele vai salvar todo mundo farmando aura e depois sera o escolhido pelo chapeu
ResponderExcluirsem aura
ExcluirJamily: Eu acho que o diretor e o Caio em consenso pois se um escreveu a carta e sumiu provavelmente diretor e Caio estejam juntos pra algo maior
ResponderExcluirnaoo pode
ExcluirEu acho que o vilao e o Davi pois ele tava quieto dms
ResponderExcluirEu acho que foi o Caio, por que ele estava com raiva do samuel tendo em vista que esse Samuel é muito é buxa ;-
ResponderExcluirSthefany Farias e POLIANY
ResponderExcluirCaio foi responsavel por Samuel não ser celecionado, escrevendo o nome do Samuel na lista de suspeitos
Helena foi que descobriu mais segredos
PIETRA linda: eu acredito que e uns burro que ta na cara que e o diretor e essa Helena e muito uma sonsa chata sem sal mais a historia e legal so esses personagens que me estressa a burrice bando de jumento
ResponderExcluirserio ?
Excluirpode nao mn essa pietra
ResponderExcluirSthefany e Poliany
ResponderExcluiracho que o diretor e o Caio estão com a folha e estão planejando algo que ninguem espera
Na minha concepção, pode ter sido muito provavelmente o Caio, pois, muito provavelmente, havia alguma questão entre os dois personagens, além da mancha de tinta encontrada em sua manga, e também é muito provável que, o Caio tenha tido a ajuda do diretor, pois, nos foi apresentado uma cena na qual o diretor aparece com tinta nas mãos, logo, pode-se supor que os dois podem ter feito um plano juntos (Lembrando que isso são somente teorias, tendo em vista que, não temos o enredo completo da trama).
ResponderExcluircomeçou e todo dia
ResponderExcluireu to meio gag com esses comentários ;-;
ResponderExcluircaio é um judas escariotes da vida
ResponderExcluirhomem misteriosooooooooooooooooo
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